O auditório da Unip de Araraquara, com capacidade para 500 pessoas sentadas,
ficou pequeno diante do interesse dos agentes públicos das cidades fiscalizadas
pela UR-13/Araraquara, UR-10/Araras e UR-06/Ribeirão Preto pelo evento desta
5ª-feira, 03/04, do Tribunal sobre as peculiaridades do último ano de mandato.
Foi o sexto encontro do ciclo de oito, aberto pelo vice-prefeito e prefeito em
exercício de Araraquara, Dr. Sérgio de Oliveira Médici, com significativos
elogios não só à diretriz orientadora do Tribunal, que seria ali executada, mas
também pela iniciativa da Corte de instalar no ano passado uma Unidade Regional
na cidade. Vendo o público chegar em massa ao auditório, ele exclamou:
“Como foi bom para Araraquara o Tribunal de Contas ter vindo para cá!”
No seu discurso, o prefeito falou com conhecimento de ex-integrante do
Ministério Público, o quanto é importante para os municípios esta ação orientadora
do TCE.
![]() Platéia atenta às orientações do TCE |
“Os municípios precisam muito destes esclarecimentos, destas orientações que o
Tribunal de Contas se dispõe a promover. Porque a maioria das irregularidades,
das falhas administrativas, acontecem por falta de conhecimento dos agentes e
não por dolo ou má fé. Quem me disse isso há tempos foi o conselheiro Cláudio
Alvarenga e concordo com ele.”
Exaltou, portanto, a presença do Tribunal em Araraquara, falando em nome dos
municípios presentes e também, por recomendação expressa, como disse, do
prefeito titular, Edinho Silva, que está nos Estados Unidos participando de uma
convenção da Microsoft, que tem ramificação na cidade do centro-leste paulista.
A prefeitura, aliás, consultou o Tribunal sobre como proceder para fazer o
adiantamento, em dólar, para a viagem do prefeito.
Para finalizar, o prefeito lamentou que o Tribunal de Contas, assim como o
Ministério Público, sejam pouco conhecidos da população, que só teria a ganhar
com o crescimento das instituições.
Além do prefeito em exercício fizeram parte da mesa de trabalhos o prefeito de
Tabatinga, engenheiro José Luiz Quartiero, convidado para representar os chefes
de Poder presentes, os diretores das Unidades Regionais promotoras do encontro,
Marcelo Záccaro (UR-13), Celso Atílio Frigieri (UR-10) e Abadio Sebastião da
Silva (UR-06), o diretor do DSF-2, Alexandre Carsola, e os palestrantes, Sérgio
Rossi, diretor-geral, e Flávio Toledo, assesssor técnico economista
especializado em contas públicas.
Vedações e conseqüências da inobservância
O dr. Flávio explanou sobre as principais vedações impostas em anos de eleição pela Lei de Responsabilidade Fiscal e pela Lei Eleitoral, destacando pontos que, como disse, são motivos por si só de rejeição de contas pelo Tribunal. Por exemplo, o aumento da dívida sem o devido suporte financeiro nos últimos oito meses.
![]() Auditório superlotado |
“O Tribunal tem até uma regra para isto. Compara os balanços de 30 de abril e de
31 de dezembro. A dívida, no último, não pode ser maior do que no primeiro. Por
isto o Tribunal recomenda que o balanço de abril seja bastante rigoroso, já que
vai servir de base para o planejamento dos oito meses seguintes.”
O dr. Flávio fez um forte alerta também sobre os cancelamentos de empenhos
liquidados, “que ocultam passivos, distorcem a contabilidade e obviamente
ensejam pareceres desfavoráveis.”
Já o dr. Sérgio Rossi abordou mais as conseqüências das inobservâncias das
proibições legais. Antes, porém, fez questão de deixar claro aos agentes que o
Tribunal não é inimigo dos municípios porque rejeita contas, tendo em vista que
sua missão constitucional é fazer cumprir a lei. Reafirmou que, por ser amigo e
parceiro, até se impôs, há mais de 10 anos, a missão de orientar os agentes.
Alertou, atentou, explicou, advertiu e fez observações úteis... sempre expondo
as posições do Tribunal sobre as questões levantadas, inclusive no espaço final
reservado a perguntas e respostas.
Observou que a rejeição de contas municipais em anos de eleição tem sido maior
do que nos outros anos e citou os números dos 129 municípios convidados para o
evento: 58 pareceres desfavoráveis em 2000, 16 em 2001, 26 em 2002, 53 em 2003 e
63 em 2004. Arrematou com uma advertência:
“O Tribunal Superior Eleitoral não está mais aceitando o simples protocolo da
propositura de uma ação declaratória para registrar candidatos que tenham contas
rejeitadas pelos TCEs. No ano passado os ministros decidiram exigir liminar, o
que pressupõe a avaliação das causas.”
Sorocaba, o próximo.
Todas as regiões do Estado sediarão ou já sediaram um encontro do ciclo que se
desenvolve desde 06 de março e termina 17 de abril. O seguinte ao de Araraquara
será realizado em Sorocaba, dia 10 e o próximo, e último, acontecerá em Bauru,
dia 17. Já foram realizados seminários deste ciclo em Araçatuba, com
jurisdicionados também de Presidente Prudente, em 06/03; São José dos Campos,
10/03; São José do Rio Preto, com fiscalizados também pela UR de Fernandópolis,
13/03; São Paulo, Capital, 17/03; e Registro, 27/03. O evento da Capital foi
transmitido pela Internet, com o intuito de chegar a um número ainda maior de
interessados.
Em novembro e dezembro o Tribunal promoverá outro ciclo, este endereçado aos
prefeitos eleitos e assessores que iniciarão o mandato em janeiro do ano que
vem. Neste, o ponto principal das exposições serão os cuidados com o
planejamento orçamentário, ainda que as peças do primeiro exercício, 2009,
decorram da gestão anterior.