PodContas recebe representantes da ALESP para debater biblioteca, acervo histórico e patrimônio artístico


13/10/2026 – SÃO PAULO – A Escola Paulista de Contas Públicas "Presidente Washington Luís" (EPCP), vinculada ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCESP), e o Memorial do TCESP disponibilizaram o 158º episódio do PodContas, dedicado à biblioteca e ao acervo histórico da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP). O programa recebeu Jair Pires de Borba Júnior, Gestor da Divisão de Biblioteca e Acervo Histórico da ALESP, e Alan Banhos Ferreira da Fonseca, Analista Legislativo especialista em história da mesma Divisão.

O episódio foi conduzido por Patrick Rafael Comparoni, servidor da Escola de Contas, e por Edmilson Araújo, Curador do Memorial do TCESP. Os convidados abordaram suas trajetórias, a estrutura da divisão, o perfil dos pesquisadores, a biblioteca Alceu de Amoroso Lima, os programas educativos e o patrimônio artístico da ALESP.

Alan contou que ingressou na ALESP em 2022, após aprovação em concurso para analista legislativo com especialidade em história, e que logo descobriu a vastidão da documentação do Legislativo paulista: os documentos começam em 1819, antes da independência do Brasil. Já Jair relatou que sua trajetória começou em uma biblioteca comunitária na pastoral da juventude, seguiu pela área de design gráfico na Assembleia em 2002 e culminou, em 2022, na gestão da Divisão.

A Divisão de Biblioteca e Acervo Histórico, como existe hoje, foi estruturada pela Resolução nº 925, de 2021, que unificou três áreas antes separadas. A biblioteca é a área mais antiga — a primeira data de 1893, uma das mais antigas do estado — e foi enriquecida pela coleção Macedo Soares. A biblioteca circulante nasceu em 1975 e foi batizada como Alceu de Amoroso Lima em 1984; a biblioteca digital surgiu em 2014. O acervo histórico foi formalmente criado em 1996 — e completa 30 anos agora em novembro. O acervo artístico ganhou impulso a partir de 2002, saltando de 70 para mais de 1.500 obras em dez anos.

Pesquisadores e temas de interesse
Alan explicou que o perfil dos consulentes é variado: cidadãos com pedidos pontuais, estudantes de pós-graduação, jornalistas e pesquisadores de municípios. Entre os temas mais procurados estão a imigração e a Hospedaria dos Imigrantes, o final da escravidão e a valorização do trabalho livre, a Revolução de 32 — com a rica documentação da comissão da Medalha da Constituição, que inclui cartas e fotos afetivas dos combatentes — e as deputadas mulheres, sobretudo as pioneiras eleitas em 1934, as duas Maria Teresa: Silveira de Barros Camargo e Nogueira de Azevedo. Os itens mais solicitados são os anais, registro dos debates em plenário, ainda não digitalizados.

Jair detalhou as três bibliotecas: a circulante, com cerca de 16 mil itens especializados em direito, políticas públicas e processo legislativo, aberta a qualquer cidadão — com cerca de 95% do acervo disponível para empréstimo; a histórica, com aproximadamente 28 mil itens, de consulta apenas com agendamento; e a digital, com cerca de 1.500 itens acessíveis gratuitamente pelo portal da ALESP.

Entre as obras raras, ele destacou um livro francês de 1670 sobre as revoltas judaicas, impresso por um tipógrafo do rei Luís XIV; a edição monumental de 1891 de O Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco; e Poemas Traduzidos, de Manuel Bandeira, presenteado a Macedo Soares, com ilustrações originais do artista Guignard recortadas e coladas no livro.

Educação e Memória Viva
Os convidados detalharam o programa ALESP de Portas Abertas, que recebe escolas praticamente o ano todo, e as ações da divisão: círculos de leitura, encontros literários, seminários — como o sobre saúde mental dos policiais do estado — e o evento Cultura Humana, que une documentação histórica, palestra e apresentação artística, com edições dedicadas à cultura japonesa, armênia e, no segundo semestre, aos povos indígenas de São Paulo. O programa também recebe crianças da creche vizinha à Assembleia.

Alan ressaltou que a documentação histórica tem dimensão viva: nos processos de emancipação de municípios, é possível encontrar, a partir de 1947, assinaturas de imigrantes japoneses participando do processo político paulista — "a gente consegue detectar em 40 anos a inserção de um povo no processo político de São Paulo".